• Categoria: textos
  • Ano novo... Vida nova?

    ano novo, texto

    É difícil pensar em como o que somos hoje pode ser algo completamente diferente daqui a um ano, e também é difícil compreender o que nos impele a fazer mudanças, promessas que podem ou não ser compridas, a vontade de ser melhor ou então de permanecer como estamos, mais difícil ainda é compreender o que é esse sentimento que corre em nós, que pulsa, forte.

    É estranho perceber que vivemos com base nisso, nossos sentimentos sobrepujam os nossos instintos e no final do ano a nostalgia nos invade, desejos de mudança nos preenchem mesmo que saibamos que se alguém não tivesse inventado de contar os dias, dia primeiro de janeiro seria apenas mais um dia.

    E então os ombros pesam , escolhas, consequências, eu preciso mesmo de uma vida nova? Será? As decisões que antes pareciam tão longes para ser tomadas se aproximam, o fim do ensino médio, a faculdade, ou até mesmo aquela viagem sozinho pra fora do pais pela qual você juntou tanto dinheiro. Por que tudo tem que ser tão difícil?

    A resposta é mais simples do que parece: Porque somos humanos.

    Várias coisas nos torna o que somos hoje, mas a principal delas é que temos em nós algo chamado sentimento, ah, e como esse danado complica tudo! Tornamos tudo uma tempestade em um copo de água, fazemos comemorações onde não tem, choramos por coisas pelas quais não precisamos chorar, amadurecemos, caímos e mesmo assim nos obrigamos a levantar de novo porque temos nas veias algo chamado determinação e mesmo sabendo que nossa natureza torna tudo mais difícil pra nós a gente continua tentando, quando o ano vira e os fogos estouram a gente faz promessas e torcemos para que o futuro seja melhor, nós queremos uma vida nova, que o passado seja apagado e que a partir de agora existam apenas coisas boas.

    E é claro que não é assim que as coisas funcionam, não se pode acreditar que todo o seu caminho será uma trilha florida e que tudo sempre será bom, não podemos começar realmente do zero, ter uma vida nova, as memórias, os arrependimentos, toda a dor e sofrimento, tudo vai estar ali, te lembrando de onde você errou e quem você magoou, mas a gente pode tentar, o ser humano sempre tenta.

    Viagem para Buenos Aires= Vou vender doces na feira?

    Viagem para Buenos Aires

    Você luta pelos seus sonhos?

    Os persegue com força de vontade, coloca sua alma e esperança neles?
    Sim? Tem certeza disso?

    Eu não tenho sonhos muito distintos ou diferentes, aos meus doze anos já tive sonhos bem loucões, mas essa faze já passou (graças a Deus!) , hoje eu tenho sonhos que, para ser sincera, são simples, um deles é viajar para o exterior.

    Não, eu não tenho dinheiro para viajar para o exterior, apesar de ter dito que é um sonho simples, porque ele é, só me falta o dinheiro, a parte burocrática hoje em dia não é tão difícil.

    E a gente tem que levar em conta que para algumas pessoas essa questão financeira é ainda mais difícil.

    Eu sou uma garota que muitos podem chamar de mimada, vou ser honesta, cresci numa família de classe média, meus dois pais tem carro e a minha casa é bem confortável e eu ganho uma semanada dos meus pais que muitos chamariam de desnecessária, mas, porém, entretanto e todavia, como a maioria das pessoas eu ando de ônibus, pago eu mesma minhas roupas, estudo em colégio publico, meus cursos de inglês e japonês também são disponibilizados pelo colégio publico e eu não sou obrigada a desembolsar nenhum centavo além do transporte. Traduzindo: Sou uma garota normal, tendo menos privilégios que uns e mais que outro.

    E é ai que entra  a grande questão: Um dos meus sonhos é viajar para o exterior e é claro, meus pais não podem me bancar nesse assunto. Vamos voltar para a pergunta lá em cima? Você luta pelos seus sonhos?

    Eu não estou falando apenas de parar de ir no cinema para economizar ou correr atrás do emprego dos seus sonhos entregando um currículo por dia. Quero saber se você luta mesmo, se esforça com garras e dentes?

    Até pouco tempo atrás achava que nunca iria conseguir sair do Brasil antes de arranjar um emprego, o que aconteceria só depois dos 18 pois tenho de me focar no Enem, meu professor de inglês havia dado a ideia de irmos para Buenos Aires no final do ano e eu recusei sem se quer pensar, não tinha o que ser discutido... Até uma amiga me dar uma ideia.

    O resultado dessa ideia foi eu acordando 5;30 da manhã de domingo para ir vender roupas usadas de 1 á 10 reais  na feira, em um dia de eleição e no frio, como complemento levamos doces de leite ninho também.

    Sabe, tem coisas na vida que a gente não espera, uma coisa que eu não esperava é que eu, com uma caixa térmica e puxando minha amiga comigo, saísse vender docinhos na feira, sério, nunca imaginei isso e por isso acabei pensando nesse texto.

    Também nunca pensei em ficar horas a fio fazendo docinhos para vender na escola, o que, pra ser sincera, está funcionando.

    Acho que nunca lutei muito pelas coisas que eu quis e acho que já estava passando mesmo da hora de lutar de verdade por algo, acredito que só o fato de ter tomado tal iniciativa já me amadureceu um pouco, eu pude realmente ver o quanto é difícil fazer dinheiro e o quanto um sonho pode parecer distante. 

    Esse texto provavelmente não vai ser de muita utilidade pra vocês, mas quis compartilhar isso pois acho que essa é uma experiencia interessante e é claro que se eu conseguir ir viajar eu também vou compartilhar com você :) 

    Espero que tenham gostado do post. 

    A luz no fim do túnel.

    A luz no fim do túnel, textos
    Eu estou assustada. Você não vê?

    Esse sentimento me deixa louca, a insanidade me corrói e eu sinto como se eu estivesse caindo em um buraco fundo e escuro, eu apalpo o ar em busca de algo para segurar, mas não encontro nada.

    Então minhas costas atingem o chão em um baque mudo, o ar foge dos meus pulmões e minha boca se abre em desespero. Ao longe enxergo o topo do buraco, o céu azul e sem nuvens a metros de distância e então o ar retorna e eu respiro fundo, desesperada, em quanto com as costas latejando eu tento me levantar.

    Não se ouve nada ali além de minha respiração entrecortada, a minha frente um caminho escuro se abre, um túnel, o único caminho a seguir.

    Na escuridão eu sigo me apoiando nas paredes, tropeço diversas vezes em quanto espero que a luz no fim do túnel apareça. Pensando bem, você devia ser a minha luz, não? Não devia ser você a me guiar, a me mostrar o caminho? A me impedir de cair?

    Mas você não está aqui e eu sigo andando sozinha e, ao invés de encontrar a saída, parecia que eu ia cada vez mais fundo na escuridão, parecia que, mesmo que isso soasse impossível, a escuridão estava ficando cada vez mais densa, mais negra, era como se ao invés de subir eu estivesse descendo para um lugar profundo e assustador, meu estomago se remexia com os pensamentos do que eu poderia encontrar em meio as trevas.

    Porém, para ser sincera, no fundo eu sabia o que iria encontrar e por isso não conseguia parar e voltar para trás, mesmo que no fundo soubesse que eu provavelmente conseguiria escalar aquela parede e que eu encontraria o céu azulado, eu me impelia para frente porque eu sabia que era você que eu ia encontrar lá.

    Era você, seu sorriso torto e sua risada maliciosa, você era o meu monstro das profundezas, escondido dentro da minha mente e me atormentando. Você era meu sofrimento, minha dor, meu desespero e eu não conseguia dizer não a você. Eu seguia em frente, mesmo sabendo que cada arranhão que eu sofri nesse caminho difícil era por sua culpa, você era o que eu tinha de ruim, e mesmo assim eu seguia em frente.

    Eu queria você desesperadamente, não me importa se existe outro alguém que poderia ter a muito tempo me mostrado a saída, eu queria você e você sabe disso. Ao fundo da minha mente eu posso ouvir sua risada corroendo meu cérebro como um ácido e então eu acelero o passo, a escuridão parecendo me envolver e me preencher.

    Algo em minha mente trinca e uma lágrima é derramada em algum lugar, meu subconsciente gritava pra mim mesma que eu estava me perdendo, perdendo minha essência por algo sem futuro.

    Eu ri e o som ecoou na escuridão.

    Eu já havia me perdido a muito tempo, no momento em que você me deu o primeiro “oi” e sorriu de lado, ah, naquele momento eu já tinha desistido de tudo, já havia dado tudo de mim, só não sabia disso ainda.


    E agora eu te perseguia, perseguia a sua escuridão que já havia a muito tempo destruído minha luz em quanto o desespero tomava todo o meu corpo, eu precisava de você, imediatamente.

    Calorias Vazias

    person, woman, hand

    Era a última quinta-feira de abril, estava extremamente gelado, o que tornava impossível a tarefa de fazer qualquer coisa sem estar enrolado em uma coberta. Chovia e trovejava do lado de fora, o que dava um ar assustadoramente depressivo a toda aquela situação.

    Eu gostava do frio, mesmo que o vento forte fizesse uma bagunça de folhas no quintal e que eu tivesse que ir correndo tirar as roupas do varal por causa de ma chuva iminente. Eu adorava aquela sensação de conforto que eu sentia assim que eu me jogasse na cama e me enrolasse em uma coberta grossa, também adorava ficar olhando para janela e ficar vendo toda aquela água cair do céu.

    O grande problema desses dias chuvosos é que eles são ótimos para pensar, refletir, questionar, sentir e lembrar. Lembrar de coisas que gostamos e desgostamos, mesmo elas fazendo bem ou não.

    Foi nesse ponto do meu pensamento que cheguei à conclusão de que o ser humano era uma criatura muito idiota, teimava em se entupir de calorias vazias ao invés de ter uma vida saudável e, consequentemente, longa. Depois de refletir um pouco cheguei à conclusão de que fazíamos a mesma coisa com as pessoas ao nosso redor. Mandávamos embora quem nos faz bem, porém mantínhamos nossos relacionamentos destrutivos o máximo que conseguíamos.


    Sem perceber, comecei a chorar enquanto olhava o céu de nuvens escuras lá fora. É, o ser humano é realmente uma criatura muito idiota.


    O amor não é pra mim

    O amor não é pra mim, textos
    Forte, fugaz, profundo, aquele sentimento abalava todos os meus pilares, desmoronava tudo o que eu havia demorado anos pra construir.

    Não era isso que eu esperava do amor, não mesmo, não que eu realmente esperasse algo, afinal, eu não era do tipo que se apaixonava. O amor não era pra mim, eu não sonhava com o príncipe encantado ou com um relacionamento maravilhoso, eu sonhava em rodar o mundo e ter minha conta bancaria com vários zeros a mais.

    E a situação toda parecia irreal para mim, esses sentimentos confusos me estorvando não pareciam coisas que viriam de mim, para dizer a verdade eu sempre me achei uma pessoa centrada, focada, ficar desolada por causa de uma paixão platônica não estava, de maneira alguma, em meus planos.

    E afinal, por que aquele sentimento tinha de ser tão forte? Porque tinha que retumbar em meu peito com tanta força e voracidade, me atingindo de maneiras que eu nunca achei ser possível? Sério! Precisava de tudo isso?

    Não, não precisava, não mesmo.

    E no fim de tudo, não havia nada que pudesse ser feito, o sentimento continuava lá, persistente, latejando de forma dolorida dentro de meu peito em quanto observava o motivo disso tudo a distancia. Lá estava ele, sorrindo, os braços em volta dos pequenos ombros de sua namorada.

    É, a guerra estava perdida antes mesmo de ser iniciada e a unica coisa que eu podia fazer era sofrer minha dor de cotovelo sozinha em quanto torturava meu próprio cérebro por ter me permitido sentir algo como amor.

    O som que vem ao longe

    O som que se aproxima
    O tempo estava chuvoso como de costume porém, as nuvens lá fora estavam escuras e carregadas de uma chuva que não tardaria em cair, o vento cortante ultrapassava os prédios e vinha em minha direção bagunçando meu cabelo e quase levantando minha saia, ah e que péssima ideia usar saia logo hoje, minhas pernas doíam pelo frio latente que fazia e eu sabia que devia sair logo dali, no entanto não conseguia, não conseguia voltar para o lugar que chamava de lar, afinal como iria encara-los, a esse ponto não se importavam mais. Cansada da caminhada fustigante após  a chuva começar caminhei a passos lentos e arrastados, sentindo o vento castigar minha face e logo uma rajada levar então levar meu único abrigo, meu guardada chuva vermelho. 
    Deixando-me então descansar sob o meio fio, a água corrente escorrendo sob minhas pernas, lavando as impurezas e trazendo junto com o frio a paz da noite recém chegada, como que em um ultimo suspiro me recostei sobre o asfalto molhado logo ao longe ouvindo o som alto de um veiculo se aproximando no escuro, mãos sob a cabeça e instintivamente senti o sorriso saltar sobre meus lábios, com calma fechei os olhos sentindo as gotas grossas machucarem a pele fina e maltratada dos últimos meses, ao som cada vez mais alto se aproximava e apesar do medo eu sabia que logo toda a angustia iria acabar.

    Atenciosamente, Julia.

    Afinal que culpa tinha ela de ser quem era?

    Sentia vontade chorar, não sabia porquê. Debulhar-se em lagrimas de um jeito nunca antes feito, afinal não lhe era permitido ser fraca, tirar o peso a muito tempo acumulado em seu coração, mas não podia, sabia que não. Tinha que aguentar e ser forte, ser a guerreira que todos esperavam que fosse, a mulher que levava o peso de uma família inteira e ainda o seu próprio, com as pernas tremulas e um sorriso em rosto “Está tudo bem...” dizia enquanto lutava contra seus próprios demônios.

    Via para si uma vida sem descanso, enquanto construía para as pessoas amadas um futuro de prazeres e regalias. Sem direito a descanso, sem direito a reclamar, sem direito a ser amada e que culpa tinha ela de ser quem era? “ELA ELA ELA” gritavam as vozes enfurecidas, se escondendo em voz submissa, ela já não aguentava mais lutar, foi então que resolveu se calar na tentativa de acalmar a dor e inibir o sofrimento, era apenas mais uma em um mar de injustiças e também não seria a última.


    Atenciosamente, Julia.


    Memórias

    nature, person, woman

    Eu me lembro de quando nos conhecemos. Chovia forte e eu havia brigado com minha irmã. Com eu não queria ficar sem fazer nada no intervalo eu corri para a biblioteca que mesmo com a chuva estava aberta. Alguns baldes se encontravam espalhados para lá e para cá por causa das goteiras. Eu vi você no canto da sala lendo um mangá que eu não me lembrava o nome. Senti uma vontade enorme de ir falar com você, mas eu era tímida demais para isso. Me sentei na mesa ao lado da sua e comecei a desenhar.

    Estávamos apenas nós dois na companhia da bibliotecária. Você se levantou para ir pegar alguma coisa na sua bolsa e viu o que eu desenhava. Se aproximou e elogiou meu desenho. Eu agradeci. Você começou com as perguntas idiotas que sempre fazem. “Você desenha mesmo ou está desenhando por cima” e “faz um desenho meu” e coisas do gênero. Enquanto me observava desenhar você devorava um pacote de biscoitos, o que era proibido de se fazer na biblioteca. Eu lembro de você sorrindo me perguntando se eu queria uma. Eu me lembro de ter negado e lembro de você ter perguntado o meu nome. A bibliotecária nos repreendeu por estarmos falando tão alto. Você fez uma careta que ela não viu. Ficamos conversando sobre coisas idiotas e então o sinal bateu.

    Na sala de aula eu ficava pensando em como você era bonito e que aquela conversa provavelmente não se repetiria novamente. Eu estava muito errada sobre a ultima parte.

    Quando deu o horário de ir embora uma chuva forte começou e eu havia esquecido meu precioso guarda-chuva. Estava tentada a ligar para minha mãe já que não queria correr até o ponto debaixo daquele toró, mas no meio daquele bando de adolescentes exalando hormônios pelos poros eu vi sua cabeleira loira acompanhada da altura fora do normal. Você deixou que eu me acomodasse debaixo do guarda-chuva com você e então subimos no mesmo ônibus e a conversa simplesmente fluía. Quando o assunto acabava você sempre começava outro.

    Os momentos começaram a ser rotineiros, sempre pegávamos o ônibus juntos e as vezes eu largava minhas amigas para ficar com você e seus amigos e as vezes era você quem abandonava os colegas para jogar conversa fora comigo e com as meninas. Sem perceber você já havia virado assunto principal das conversas que eu tinha com minha melhor amiga.


    Um dia você me chamou para sair, mas você disse que queria sair sozinho comigo. Sem amigos idiotas ou sobrinhos birrentos por perto. Eu sorri e é obvio que aceitei. Mas eu nunca imaginei que você fosse me levar para um lugar tão bonito, calmo. Aquele lugar era definitivamente magico, encantador, simplesmente lindo. E hoje, mesmo depois de você ter partido, eu continuava visitando aquele parque. Mesmo que você não estivesse ali comigo. Você estava nas melhores memórias que eu tive daquele lugar. E enquanto eu continuasse visitando aquele lugar, você continuaria vivo em minha mente e em meu coração.

    Insônia

    Rain
    Insônia. Palavra insignificante e irritante que o seguia nas últimas semanas, e naquela noite após ter consigo dormir por cinco minutos acordou com a forte chuva batendo pela janela panorâmica de sua casa, e lá estava insônia novamente, trazendo consigo os maus pensamentos e a raiva contida durante tanto tempo, “nem mesmo o mundo dos sonhos o aceitava mais” pensou sozinho no centro da enorme sala, não havia o que fazer, estava cansado e novamente sozinho, em todos os lugares em que olhasse lá estaria ela, se abrisse suas redes sociais ela estaria lá esbanjando aquele sorriso que antes era só pra mim, se abrisse as gavetas pela casa ou abrisse os livros, lá estaria as suas coisas e as suas fotos, até mesmo na chuva odiosa que batia no prédio em que vivia lhe lembrava a baixinha que o largara.

    Mas não a culparia, as coisas eram assim. Ele sabia disso, mas não o impedia de sentir a dor daquela perda, afinal as pessoas mudam seus caminhos, arranjão outro alguém para se substituir, e no final um dos dois acaba machucado, com as mãos contra a janela, permanecia parado e completamente desperto imaginando como seria um futuro sem seu “alguém especial”.

    Atenciosamente, Julia.

    O começo de uma nova Fase

    Girl resting on green grass with cookies and camera
    Em minha vida sempre me vi em um redemoinho de mudanças e frustrações constantes, coisas dando errado e sentimentos confusos. Durante meus poucos anos de vida, entre indas e vindas de relacionamentos instáveis e conturbados, e pude acompanhar e ainda acompanho minhas mudanças, me tornei mais forte, mudei conceitos e reconstruí alguns, tomei a mim lutas e magoas.

    Aprendi que na vida quem sempre mede as consequências acaba não vivendo a própria vida, abri meus olhos e enxerguei a vida com todas as suas tristezas assim como todas as suas infindáveis belezas, me joguei de cabeça em experiência perigosas e trouxe delas o melhor que pude, fiz loucuras e busquei em mim o otimismo perdido á muito tempo.
    Entre festas, drogas e aventuras adolescentes, encontrei meu próprio paraíso, um lugar onde não haveriam julgamentos, preconceitos e onde as pessoas não perguntariam o porquê, o lugar onde deixei-me perder os sentidos, chorar e beber, havia passado então noites com completos desconhecidos, tentando fugir da minha frágil realidade e lidar com meus próprios demônios.

    Não que hoje eu tenha mudado, porém vejo cada dia mais minha própria auto destruição, os pensamentos suspeitos e depressivos em um vai e vem constante, a mente em um caos, o corpo cansado e mal tratado por farras antigas, a aparência inocente em contraste com a mente perturbada e em constantes mudanças, talvez um dia eu leia esse texto e ache-o besteira assim como olho para trás e vejo que nem mesmo concordo ou me identifico com meu eu de um ano atrás, um mês atrás, uma semana...

    Carrego em meu corpo exaurido cicatrizes profundas e abertas, de batalhas passadas e guerras perdidas, de brigas compradas e punhais em minhas costas. Estou cansada de lutas, guerras e batalhas, necessitada de apoio choro por um descanso e uma mão amiga para me puxar de volta a vida para o começo de uma nova fase.
    Atenciosamente, Julia Santos.

    Afinal, onde esta a humanidade de que todos falam?

    black-and-white, man, river
    Afinal, onde está a humanidade?
    Já não sentia mais meu corpo anestesiado pela bebida e minha mente estava em um constante caos, fosse pelo whisky que a esse ponto do campeonato já estava no final, fosse pelo sangue que havia ido pelo ralo alguns minutos antes ou talvez pela mistura doentia dos dois, neste momento à minha frente jaziam apenas imagens quebradas de coisas que um dia foram de grande afeto, porém hoje só me faziam lembrar da mentira que vivi, as amizades que pensei ter tido, os amores que pensei ter vivido, quem diria que um dia acordaria e veria, que tudo aquilo não passará de um sonho distante e longinguo.
    Aaah e doía tanto, doía tanto que eu não acharia estranho se meu coração explodisse nesse exato momento em um milhão de pedaços, pedacinhos tão pequenos que não teriam mais concerto, dilacerava-me lembrar de que tudo que eu vivi havia sido mais uma mentira criada por mim mesma e machucava ainda mais saber que eles não se importam.
    Andava pelas ruas da cidade, lagrimas prestes a cair, rosto vermelho e uma expressão desolada em sua face. Sem rumo, implorava a Deus para que alguém se importasse, lhe parasse e oferecesse ao menos algumas poucas palavras de conforto, era somente isso que precisava, um carinho, um sinal de que nem tudo estava perdido, um sinal de que talvez as coisas fossem melhorar.
    "Onde estava a humanidade?" pensou pela milésima vez, percorrendo pela ultima vez o mesmo caminho vazio, dessa vez com um destino fixo em mente.

    O Sabor da Liberdade

    O Sabor da Liberdade, texto, exalando purpurina
    Afinal o que seria a liberdade?

    Sentir o vento bater sobre seus cabelos bagunçando-os sem ter a preocupação de arruma-los novamente ou então, ver que todas as correntes que pesavam sobre seus braços e pernas com obrigações e regras que te impediam de sonhar, haviam simplesmente desaparecido?

    Sempre que pensamos nessa simples palavra que contem um nicho tão grande de significados, em nossa mente uma tipica imagem se forma, o céu azul, os pássaros e a brisa suave tirando seus pés do chão, a capacidade ainda inimaginável de voar.

    Em pensar que a liberdade para mim se dá de maneira tão estranha, um grande campo verde com a grama rala e faceira tocando meus pés descalços enquanto corro cada vez mais rápido, o céu nublado contrastando com a chuva grossa á acariciar meu corpo com brutalidade, sentir o veto gelado e sentir a ponta de meus dedos levemente geladas pelo constante frio.

    A verdade é que a liberdade vem em formas e cores diferentes, a liberdade esta nas letras das musicas contendo um significado oculto e explicito, esta nos livros escritos e apreciados com tanto zelo e carinho, a liberdade de expressão e na revolução, uma luta de todos os dias para que as vozes sejam ouvidas, ou simplesmente libertar-se dos padrões.


    Atenciosamente, Julia.

    Amor próprio não é gostar da própria aparência.

    texto, blog, auto estima, amor próprio, amor próprio não é gostar da própria aparência
    Você possui amor próprio?
    Eu acabei de achar o meu, estava perdido em algum lugar _ pelo que me parece esqueci ele em um ponto qualquer e ele teve de lutar pra me encontrar de novo, devia ser um lugar muito longe, demorou anos para finalmente chegar até mim.

    Sabe, sempre achei que amor próprio era gostar do meu próprio corpo, amar ele do jeitinho que ele é e esperei desesperadamente por esse dia, quero dizer, o dia em que eu olharia para o meu corpo e gostaria dele... Estava redondamente enganada. 

    Amor próprio tem a ver com a alma, com o espirito.

    Sabe, ainda hoje não gosto do meu corpo, sinto necessidade de emagrecer e não gosto de muitas coisas quando olho no espelho e mesmo assim me amo, amo a mim mesma de um jeito que só havia conseguido quando era apenas mais uma criança inocente e sem nenhuma noção do mundo.

    Eu amo minha alma, meu caráter, minha personalidade! Mesmo reconhecendo meus defeitos como orgulho e prepotência, eu me amo, simples assim.

    Demorei pra entender que era isso o que faltava em mim, estava focada de mais em problemas mundanos e em assuntos do passado pra perceber o quanto meu emocional estava falho nesse quesito, o quanto minha auto-estima estava pra baixo. Só consegui perceber isso quando me olhei no espelho e não consegui encontrar nada que eu gostasse, nem ao menos uma pinta.

    Desde quando eu estava nesse estado? Odiando minhas pernas, barriga e braços, me incomodando com as gorduras de um jeito que não podia ser saudável. Quando foi que me tornara o que, quando criança, odiava? Fútil até a alma, acreditando que a beleza que nunca tive iria me abrir os caminhos que tanto sonhei. Acreditando até a alma que se fosse bonita me seriam abertas as portas que eu encontrava fechadas.

    E então eu percebi que não era assim que funcionava e logo em seguida não demorei para entender que o amor próprio não é se sentir bem com seu corpo, nunca foi, nunca será. Eu não me sinto bem com meu corpo, o mudaria sem pensar duas vezes, mas me amo mesmo assim, simples assim.

    O amor próprio é uma coisa que agente encontra aos poucos, ao superar os problemas que a vida coloca em nosso caminho, de vagar e com o passar dos anos. Temos lutar por ele.

    E é claro que as vezes o que nos falta é sim a boa aparência e apenas isso para nos sentirmos completos, e as vezes a boa aparência é só uma das coisas que você precisa conquistar para amar a si mesmo, existindo então muitas mais.

    Podridão

    black-and-white, person, woman
    Sentia-se podre por dentro, cansada do tempo e dos sorrisos pragmáticos. Os cabelos acobreados e encardidos estavam agora, esparramados desleixadamente pelo chão igualmente sujo, os olhos desfocados encaravam sem esperança um ponto qualquer no horizonte e a tez de veludo antes tão pálida e translucida transformava-se, com o tempo, em um amarelo doente, quase tão doente quanto a garota que possuía tais características.

    Ora, que lastimável presença era aquela, afinal o que pensariam da menina prodígio? O que pensariam da garota dos olhos de seus pais, garota qual seus pais faziam questão de se gabar sobre? As melhores notas, os melhores exemplos e o melhor sorriso, mal sabiam eles que a pequena chorava por dentro a cada novo sorriso que brotava em seu rosto, quase que automaticamente.

    Não haviam motivos para chorar, haviam?

    Sua vontade era jogar tudo para o ar, como os seus amigos fizeram á muito tempo, usar as roupas que quisesse se comportar da maneira que quisesse, mas não podia, tinha um papel á cumprir, falas pré coordenadas e uma vida regida á mão de ferro, seu destino estava traçado, afinal como muitos diziam, ela tinha um grande futuro pela frente, um futuro que não incluía nem mesmo seus sonhos mais singelos.

    O estrago havia sido feito, seu próprio personagem á havia consumido e a asfixiava com as mãos calejadas e cheias de feridas, fazendo com que sua mente embaralhasse e esquece-se seus preciosos sonhos, não havia mais volta para ser oque era, ela não era mais nada e aquele eu tão sonhador já não existia mais, apenas oque existia agora era um fantoche e seu coração rachado.


    Atenciosamente, Julia.

    Eu aprendi a lição.

    sea, nature, beach
    Eu finalmente entendi, foi difícil, muito difícil, mas finalmente entendi. Compreendi que eu precisava superar certas coisas, que não adiantava fingir que nunca havia acontecido, eu precisava encarar de frente a situação e gritar: Você não me incomoda mais!

    Eu precisava disso, não podia mais ficar me remoendo, não podia mais sentir minhas entranhas se remexerem dentro de mim em protesto as más lembranças, não podia mais sentir essa dor.
    É claro que a gente precisa sentir a dor, é um mau necessário, faz parte do ser humano. A gente precisa chorar, espernear, gritar para o mundo que "tá doendo!", porque dói, arde e te faz sentir a pior pessoa no mundo, mas você não pode chorar pra sempre, você tem de ir parando, aos pouquinhos, até que os gritos e berros transformem-se em soluços baixos e em lagrimas silenciosas, então você se levanta, mais forte do que antes de levar o tombo.

    E esse era o meu problema, eu me levantava quebrada, machucada, nem ao menos tentava enxugar as lágrimas que ainda restavam, esperava que secassem sozinhas e com o tempo. Grande mentira essa! Quem foi que disse que o tempo cura tudo? Bom, eu não sei, mas esse cara é um mentiroso!

    O tempo não cura, ele engana! Te faz esquecer momentaneamente a dor, mas quando você lembra dela ela vem com tudo, firme e forte, reabrindo no coração uma ferida que você acreditava ter sumido. Eu sempre soube disso, todos sabem disso, afinal, é isso o que todos os textos e livros de auto-ajuda falam, não é? Mas era medrosa de mais para encarar os problemas de frente, então simplesmente os escondia de baixo do tapete.

    É, mas já estava na hora de mudar, já havia sentido a dor por tempo de mais, permanecido por tempo demais chorando _ as lágrimas não se secavam sozinhas, nunca secavam_  e decidi que era hora de encarar a situação de frente. E assim eu fiz! E por incrível que pareça, não doeu! Apenas senti uma leveza que a muito tempo não sentia, foi como se o peso nos meus ombros ouve-se sumido!

    Para todos que questionavam eu dizia que estava feliz, mas não era verdade. Eu não me sentia feliz, só não sentia mais a tristeza pesando em meus ombros, me empurrando pra baixo com força, obrigando-me a apoiar a mim mesma nas paredes para que eu não caísse de novo.

    E então eu me tornei forte, empinei o nariz e bati o pé! Estufei o peito _coisa que antes eu não conseguia fazer, era muito peso para carregar nas costas_ e abri o meu maior sorriso!

    Destino

    art, creative, apple
    Seu corpo estava dolorido. O edredom verde musgo não era suficientemente quente para afugentar o frio daquela manhã de sábado, mas a preguiça a impedia de se levantar e pegar um cobertor. Esse era um daqueles dias em que o mundo parecia uma grande montanha de coisas erradas, mesmo que nada de ruim tivesse acontecido.  Pegou o celular de cima do criado mudo e percebeu que não podia mais ficar ali.

    Levantou da cama e se sentiu tentada a voltar para de baixo de seu edredom quentinho, mesmo que ele não aquecesse tanto assim. Foi correndo para o banheiro nas pontas dos pés, quase tropeçando. Tomou um banho quente e demorado, todo mundo enrola no banho em dias gelados como aquele.
    Já vestida com roupas bregas, porém confortáveis ela foi preparar o café. Ignorou completamente o fato de que já estava na hora do almoço. O céu nublado que antes ela tanto gostava de observar estava deixando-a deprimida. Era a vida.

    Era como se tudo estivesse dando errado, mas ao mesmo tempo estava tudo bem. Ela levava uma vida boa. Tinha a sua casa própria, morava perto dos pais, seu relacionamento com seu namorado já durava um ano. Muitos invejariam a vida dela, mas ela estava praticamente entrando em colapso. Por que? Essa era uma pergunta que ela não sabia responder. Afinal, por que ela não estava feliz?

    Vai ver.... Vai ver simplesmente não é essa vida que ela queria ter. Vai ver essa vida que tantos almejam não seja para ela.

    Se o destino fosse uma pessoa eu seria capaz de escutar ele rindo sarcasticamente toda vez que olha para uma de suas vítimas. Embaralhando as peças dos nossos quebra-cabeças e nos forçando a resolver.

    Enquanto bebericava seu café o mundo parou por um segundo. Bam! Ela finalmente colocou a última peça do quebra-cabeça em seu devido lugar. Estava decidida. Seria uma pena se um certo ser chamado destino já estivesse com alguns outras peças em mãos.

    Autora: Larina                            

    Por que eu não amei?

    couple, hands, love
    Por que é tão complicado pra eu amar? Amar não, porque é tão complicado pra eu simplesmente gostar? Ver uma pessoa com outros olhos...

    Não, acho que esse não é o problema de verdade, eu já gostei sim de muitos garotos, o problema real é que ninguém me olha com outros olhos, ninguém se interessa por mim...

    Oh! Merda! Como isso é depreciativo... Mas não deixa de ser verdade, afinal, estou em plena adolescência e nunca tive nem ao menos um selo roubado, nunca ninguém nem ao menos chegou pra mim e disse que queria “ficar” comigo, nunca senti a euforia da primeira paixão reciproca.

    Aish! Como eu sou piegas... Vai ver é por isso que ninguém quer sair comigo_ mesmo que uma voz na minha cabeça diga que não é nem de longe isso, acreditar nisso faz com que eu me sinta um pouco menos... Por um momento eu pensei em dizer “um pouco menos triste”, mas eu não me sinto triste, apenas... Estranha?

    Sinto-me deslocada, como se não pertencesse a faixa etária “adolescente”, afinal, não é apenas a falta de namorados que me incomoda, a falta de uma vida social completa é incluída no pacote. Sempre vejo meus colegas de turma indo a festas e se divertindo, enchendo a cara e rindo litros dos micos que pagaram no dia seguinte. Por que será que eu ainda não tive essa experiência? Não que eu me sinta realmente atraída por bebidas alcoólicas, na verdade, sou completamente avessa a ideia, mas isso não vem ao caso...

    Por que nunca me embebedei e chorei litros pelo carinha que me causou uma grande desilusão amorosa, por que ainda não olhei nos olhos de minha melhor amiga e murmurei “é ele” com uma voz convicta, mesmo que no fundo eu soubesse que não, ele não era o cara, ele não era “ele” e por que diabos eu nunca recebi aquele olhar diferente de ninguém?

    Por que eu ainda não fui atingida por esse furacão bagunçado de sentimentos que dizem ser o amor? 

    Por que eu não sei se eu devo ou não sentir a falta dessas coisas?

    Eu não devia, na verdade, fugir disso? Afinal, a internet está cheia de posts melodramáticos sobre romances que não deram certo, sobre desilusões amorosas que segundo as desiludidas, são bem dolorosas. Além do mais, não vi o suficiente minhas amigas quebrando a cara, passando dias tristes e juntando seus caquinhos bem devagar? Recolhendo seus pedaços do chão bem lentamente... Então, por quê?


    A Floresta

    nature, branches, leaves
    Indo além da Imaginação
    A cada passo que dava quase que automaticamente para frente, sentia me embrenhar cada vez mais e mais na floresta um tanto quanto sombria ao meu redor, vendo a luz do sol desaparecer gradativamente em cima das arvores densas, dando lugar à uma meia luz agradável que ultrapassava com dificuldade a copa das árvores.
    E o silencio se fazia presente, impiedosamente sugando qualquer resquício de vida daquele lugar, sendo interrompido apenas pelo som das folhas se despedaçando sob meus pés a cada passo dado sem pressa e o vento suave que acariciou meus cabelos jogando-os para frente trazendo um novo som. Uma voz.
    Observei curiosamente, porém estava sozinha, nem mesmo os pássaros se arriscavam á cantar em tal floresta misteriosa, não ousavam lhe tirar o esplendor do silencio.
    Um sussurro, uma voz suave e melódica. E lá estava eu, sendo puxada mais e mais profundamente pela mata, sendo levada e manipulada por uma coisa que não conhecia e que me acalentava nas horas mais difíceis, talvez estivesse ficando louca, porém com o passar do tempo a floresta passou a ser meu refúgio, um lugar onde meus medos e problemas não me alcançariam, e que sentia então a paz me preencher.

    No entanto desta vez tal voz melódica não me acalentava, não dizia palavras doces de conforto e muito menos bonitas melodias sussurradas ao pé do ouvido, esta noite as palavras eram ásperas e diretas, seria a última vez em que entraria na floresta e algo me dizia que desta vez não sairia dela.




    Atenciosamente, Julia.

    Inveja.

    hands, coffee, smartphone
    Sabe, sempre achei idiotice aquela história de “ex bom é ex morto”, isto é, até me deparar com vocês dois em uma cafeteria movimentada do centro. Eu estava sentada perto da janela, com minha bolsa preferida no colo. Vocês dois estavam mais ao fundo, perto dos balcões repletos de doces caros que ninguém sabia pronunciar os nomes. Davam gargalhadas escandalosas que faziam todos olharem feio.

    A cena era digna daqueles filmes água com açúcar que eram sucesso de bilheteria. Por um momento eu realmente quis que você se ferra-se geral. Por um momento imaginei ela deixando você chorando enfiado nas cobertas que eu esqueci na sua casa enquanto ela cruzava a fronteira do país em um carro de luxo ao lado de um modelo internacional. Sorri em meio a esses pensamento provavelmente influenciado pela inveja que eu sentia da garota ao seu lado. Tomei uma golada do café_ a única coisa que as pessoas consumiam naquele lugar. Refleti por alguns minutos e senti vergonha do meu pensamento infantil. Olhei uma última vez para a mesa onde você se encontravam e então sorri, pois percebia que eu não te odiava. Me levantei e fui embora.


    Vendo através do Véu

    nature, fashion, person
    Sou oprimida porque questiono, porque me recuso, porque digo não, discuto e bato o pé, arregaço as mangas e parto para a briga, continuo em frente apesar da vontade chorar e as lagrimas em meus olhos, não escolhi o caminho mais fácil, tomei partidos e lados que acho justos, apesar de ainda ser nova.
    Nasci, cresci e em uma certa fase da minha vida me recusei a ver através do véu da ignorância, ver o machismo, preconceito, homofobia, intolerância e violência entre tantos outros, que o mundo fez questão de jogar em minhas costas e eu aceitei de bom grado carregar e tentar mudar.

    Me peguei sendo censurada e subjugada até mesmo dentro da minha própria casa, por pessoas que dizem que me "amam", fui ensinada que uma que mulher bate em outra uma mulher é uma vagabunda, mas um homem que vai pra cima de outro é valente, e que tudo que contrarie o normal é errado.


    Coloquei a cara a tapa e fui julgada por dar minha opinião, mas sabe, as vezes palavras machucam mais que a dor do corpo. Nesse momento descobri que estava em pedaços, e uma guerra começou dentro de mim, mas descobri que era preciso quebrar-se inúmeras vezes para reconstruir-me cada vez mais forte . 


    Eu chorei, gritei e esperneei aos prantos pela ferida que havia ficado, minha primeira ferida da minha primeira luta, e confesso que ainda estou recolhendo meus pedaços pelo chão. Os preconceitos e opressões que antes estavam fazendo uma barreira dentro de mim foram abaixo em uma unica explosão e doeu como nunca antes, posso confessar que ainda doí, mas eu vou aguentar, pois minha dor é pequena se comparada a de muitas outras mulheres e irmãs, minha caminhada ainda esta no começo.


    Necessito as vezes de uma mão amiga, um abraço protetor para retornar ao caminho que resolvi trilhar, um sorriso e até mesmo umas boas chacoalhadas e tapas para não me deixarem desistir ou   me entregar sem lutar, porque eu sinto medo, medo até mesmo de respirar, pois cada movimento e ação minha é considerada uma ameaça. Talvez um dia eu seja apenas mais um exemplo de corretivo que sociedade impulsionou, talvez eu me torne uma estatística ou talvez nem isso vire.


    Atenciosamente, Julia Santos Moreira.
    © Exalando Purpurina - 2015. Todos os direitos reservados.
    Criado por: Lorena Vieira.
    Tecnologia do Blogger.
    imagem-logo